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  Adesão a TRH

A troca de informações entre médico e paciente é a principal ferramenta para a utilização consciente e correta da Terapia de Reposição Hormonal (TRH).

A opinião é do médico ginecologista e obstetra dr. Aninoel Dias Pacheco. Em dados obtidos no dia-a-dia do seu consultório, o médico constatou que a adesão à Terapia de Reposição Hormonal, no primeiro ano de tratamento, vai de 60% a 70%. O problema é que, conforme passa o tempo, esse índice vai caindo, por uma série de motivos.

Por isso destaco a necessidade da boa comunicação entre as partes. O médico deve falar à paciente sobre todos os benefícios dessa terapia e, ao mesmo tempo, dos riscos que eventualmente possam ocorrer para o caso específico. É claro que quanto mais a paciente esteja inteirada sobre o assunto, e todas suas dúvidas estejam esclarecidas, maior vai ser a sua adesão ao tratamento", comenta.

Um fator que o dr. Aninoel Dias Pacheco considera importante na adesão ao tratamento é o estado da paciente, o mal estar que ela possa estar sentindo antes de iniciar a terapia e os benefícios que realmente vai notar quando iniciar a TRH.

É claro que a paciente que estiver usando TRH mais por prevenção, já que está assintomática, terá mais chances de deixa-la, do que aquela que viu desaparecerem os sintomas que a incomodavam." Entre as causas principais de abandono a fundamental, na opinião do dr. Aninoel, é a intolerância ao tratamento, por conta dos efeitos colaterais, que podem estar sendo causados pela dose, pela maneira de usar os produtos, ou mesmo pela via de administração.

É por isso que Terapia de Reposição Hormonal não pode ser usada como uma receita de bolo. Ela precisa ser individualizada para cada paciente, de acordo com a sua necessidade e seu perfil." O dr. Pacheco confirma que muitas mulheres param com o tratamento por medo, em especial do câncer. Mas outros medos devem ser levados em conta, como o de engordar, inchar, o de aumento das varizes ou de outras alterações circulatórias. O custo do tratamento também é um fator importante para o abandono da TRH.

Apesar de existirem esquemas de medicação que até o Sistema Único de Saúde fornece para a paciente, de maneira gratuita, em alguns casos especiais necessitamos de esquemas especiais e aí realmente o custo acaba pesando no orçamento familiar dessa mulher, que com freqüência, já usa outros tipos de medicamentos e acaba tendo que abolir alguma coisa, optando para o que considera prioridade", analisa. No universo de motivos que levam à desistência do tratamento, o dr. Aninoel Pacheco também lembra da interferência da mídia no comportamento do ser humano, principalmente no Brasil.

Por mais que o médico tente colocar para a paciente as vantagens de uma certa terapia, quando um veículo de grande penetração já condenou tal método, isso sempre tem um peso maior, pelo menos numa grande porção da população. Bastou a imprensa noticiar, recentemente, dados sensacionalistas de uma pesquisa sobre TRH, que várias pacientes pararam com a medicação e pediram outras alternativas aos seus médicos. Talvez a mídia seja uma das maiores responsáveis pelo aumento do abandono a TRH na atualidade", avalia.

E isso preocupa o especialista, em especial porque parar um tratamento é muito mais fácil do que reinicia-lo. Por isso, o dr. Aninoel acha que, quando a paciente procura ouvir de seu médico antes de tomar qualquer atitude precipitada, são maiores as chances de faze-la manter o tratamento.

Uma coisa está bem definida na TRH. O mais importante é o médico ouvir as aspirações de sua paciente falar das vantagens do esquema adotado, das possibilidades de precisar muda-lo até se chegar ao melhor resultado. Ao mesmo tempo, ela deve saber de todos os riscos que possam existir e ficar ciente, que o médico estará à disposição para esclarecer qualquer dúvida que surja durante o tratamento, inclusive interromper a TRH se for necessário", acrescenta.


 
   
   
     
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