Várias são as causas responsáveis pelo escurecimento dos dentes. Assim, podem ocorrer manchas extrínsecas (sobre o esmalte dental) e intrínsecas (internamente, na dentina).
As manchas extrínsecas, que podem ser causadas por placa dental, tártaro, pigmentações por chá, café, refrigerantes à base de cola, cigarro, ação de bactérias cromogênicas, etc., são relativamente fáceis de se remover. Com instrumentos para raspagem (manual ou ultrassônica) e aparelho para profilaxia (que libera ar, água e bicarbonato de sódio conjuntamente) o Cirurgião-Dentista realiza o procedimento de limpeza (clareamento externo).
Já as manchas intrínsecas são um pouco mais difíceis de ser removidas. Elas podem ocorrer em dentes isolados e desvitalizados; como exemplo, temos alguns casos cuja descoloração é decorrente da decomposição de tecido pulpar (necrose), de traumas que podem causar penetração de sangue nos canalículos dentinários (o ferro da hemoglobina combinado com sulfeto de hidrogênio forma o sulfeto de ferro, que é responsável pela coloração escura do dente) ou após um tratamento endodôntico (de canal) onde componentes da pasta obturadora do canal são à base de eugenol. Nestes casos, o Cirurgião-Dentista utiliza-se de uma técnica de clareamento interno pelo processo de oxidação com substancias à base de perborato de sódio + água destilada ou peróxido de hidrogênio. Podem ser necessárias algumas sessões de tratamento para se atingir o resultado satisfatório.
Quando as manchas ocorrem em vários dentes vitalizados, podendo ter como fatores alguns medicamentos como a tetraciclina, ou podendo estar escurecidos pela idade ou ainda por calcificações distróficas, as pessoas podem ter o seu ego afetado, porque geralmente acreditam que os dentes claros são reveladores de saúde bucal, o que nem sempre é real, pois podem ser claros e portadores de cáries ou doença periodontal. Manchas intrínsecas podem ainda ser decorrentes de dentinogênese imperfeita ou fluorose. Porém, comparando-se os dentes com um "cartão de apresentação", algumas vezes é necessário clareá-los. Para isso, é importante que os dentes estejam íntegros ou com pequenas restaurações, que por vezes, podem ter necessidade de substituição após o clareamento, a fim de acompanhar a nova cor dental e não causar desarmonia estética. Normalmente nesse tipo de clareamento a estrutura dental não é afetada.
Utilizam-se para clareamento dental géis oxidantes (que liberam oxigênio). Esses géis podem ser fortes, utilizados pelo Cirurgião-Dentista em consultório, ou fracos, que podem ser utilizados em casa para uso diário, normalmente entre 7 e 10 dias, à noite. Mesmo o clareamento doméstico, no qual se utiliza como agente clareador o peróxido de carbamida a 10% numa moldeira plástica, não deve ser realizado sem supervisão de um profissional, muito embora não cause nenhum dano à saúde geral. Deve-se evitar, também, a utilização de produtos vendidos pela mídia ou em supermercados, cuja procedência nem sempre é confiável. Soluções de peróxido, devido ao seu baixo peso molecular, têm a propriedade de se difundir através das porosidades do esmalte e dos canalículos da dentina, alcançando regiões profundas e promovendo o clareamento.
O Cirurgião-Dentista utiliza-se de moldeira individual transparente, previamente confeccionada, que recobre apenas as superfícies dentais que serão atingidas pelo gel clareador, de modo que a gengiva não fique exposta à ação da substancia clareadora.
Não há contra-indicação relativa à idade para se fazer o clareamento, mas, sugere-se após a adolescência. Por precaução, gestantes devem evitar.
Dentes clareados podem escurecer novamente após algum tempo (anos), quase sempre menos que o escurecimento original, e necessitar de manutenção clareadora periódica.
Alguns pacientes se queixam de pequenas irritações gengivais, outros do desconforto das moldeiras, outros de náusea provocada pelo gosto do produto. Queixas também existem quanto à hipersensibilidade dental ao frio ou quente, ou por frutas cítricas (substancias ácidas) após clareamentos são relativamente comuns. Isso ocorre em função do aumento do diâmetro dos poros da superfície do esmalte, o que favorece a troca de fluidos do meio externo dental para o interior da dentina. Quando estas sensibilidades acontecem, há necessidade de se aplicar soluções fluoretadas sobre os dentes ou verniz de fluoreto de sódio a 5% que contém pouco mais de 22.000 ppm de flúor em uma base de resina, além da escovação com escovas de cerdas extra-macias e dentifrícios fluoretados.
Outra opção para o clareamento dental é a utilização do LASER (Light Amplification Stimulation Emition Radiation) que direcionado sobre as superfícies dentais previamente cobertas com o gel de peróxido de hidrogênio a 35 %, potencializa a sua ação permitindo o clareamento em menos sessões (uma ou duas em casos mais severos). O LASER ideal empregado nestes casos é o de Argônio, de luz azul, de baixa potência (que nada tem a ver com a luz dos fotopolimerizadores de resina). Sob a ação do LASER, a coloração avermelhada do gel vai se modificando e tornando-se incolor conforme se processa o clareamento até sua máxima efetividade. Além desta função o LASER ajuda a diminuir a sensibilidade dentinária pós-operatória. Durante todo o procedimento com o LASER, os pacientes devem estar protegidos com óculos de segurança, bem como toda a equipe responsável pelo trabalho.
Recomenda-se também ao paciente que teve seus dentes clareados evitar ingestão de líquidos e alimentos com substancias corantes ou condimentos, por razões óbvias.
Há casos ainda em que só o clareamento unitário ou em vários dentes não resolve por si só completamente a harmonia estética, sendo algumas vezes necessário completar-se o tratamento com facetas de resina ou porcelana sobre os dentes mais afetados por alterações cromáticas.
Não é demais lembrar que periódica e regularmente devem ser feitas visitas ao Cirurgião-Dentista de sua confiança para certificar-se das suas reais condições de estética e saúde bucal.