Os adolescentes, na faixa dos 14 aos 17 anos de idade, constituem um dos grupos populacionais que mais merecem nossa preocupação, no que se refere à alimentação, nos dias de hoje.
Sua necessidade de nutrientes é elevada, dado o intenso ritmo de crescimento e desenvolvimento físicos, mas os problemas nutricionais, por hábitos inadequados ou desvios do comportamento alimentar determinados por fatores psicológicos, sociais (ou até por modismo!) são muito freqüentes. O excesso de peso ou a magreza excessiva tendem a crescer, nessa etapa da vida.
Nesta fase, a prática de atividades físicas pode ser intensa, exigindo alimentação suplementar, nem sempre bem orientada ou seguida, ou o adolescente pode tender ao sedentarismo e à obesidade, o que interfere negativamente em sua auto-estima, se não for adequadamente controlado. O baixo consumo de leite e derivados, importantes fontes de cálcio, e de verduras, legumes e frutas, fontes de vitaminas, minerais e fibras, é muito comum. Por outro lado, o uso de bebidas alcoólicas tem começado cada vez mais cedo, comprometendo ainda mais a nutrição do jovem.
A preocupação com a estética é muito acentuada nessa idade e o adolescente precisa sentir-se aceito por seu grupo, dentro dos padrões dominantes, para "se aceitar". Por outro lado, a "rebeldia" característica, que nada mais é do que manifestação do processo de formação de sua identidade, pode levá-lo a rejeitar os alimentos saudáveis oferecidos pela família, para preferir aqueles que os "amigos" gostam, que a mídia divulga, que oferecem "status", mais que nutrientes... A preocupação com a estética tem levado muitos desses jovens a adotarem hábitos prejudiciais à sua saúde, como dietas hipocalóricas desequilibradas e restritivas, que afetam seu desenvolvimento físico e mental. Em alguns casos, as próprias mães participam da escolha da dieta inadequada das filhas!
A mídia, vale ressaltar, contribui para que uma verdadeira "teia" prenda o adolescente, levando-o a comportamentos pouco conscientes, como opção por refrigerantes ao invés de sucos naturais, guloseimas - sorvetes, chocolates, biscoitos, salgadinhos - no lugar de frutas (que "não são legais para se comer junto dos colegas"), lanches com excessivo teor calórico e pouco valor nutricional, no lugar da refeição caseira.
No que a família pode ajudar, para modificar esse padrão? Em primeiro lugar, respeitando o direito a uma alimentação "diferenciada", mas adequada, para o seu adolescente. É possível compor uma dieta equilibrada com lanches no lugar de pratos quentes, por exemplo. Basta que se saiba fazer "escolhas inteligentes" - sanduíches naturais, filés grelhados no lugar de hambúrgueres fritos, vinagrete no lugar da maionese, suco de frutas no lugar do refrigerante, iogurte no lugar do sorvete - são alguns exemplos de trocas que podem ajudar a equilibrar uma refeição "jovem".
Outra dica sempre importante, é a do exemplo dos pais. Se você faz frituras diariamente e nunca faz saladas, como esperar que seu filho troque o "big tudo" com batatas fritas por um filé de frango grelhado com verduras e legumes?
Para o jovem, aqui vão algumas sugestões que além de garantir boa forma física, podem proporcionar uma vida mais saudável:
Procure fazer pelo menos três refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar). Se quiser, e principalmente se sua atividade física for mais intensa, complemente com lanches entre o almoço e o jantar.
Evite as guloseimas fora de hora.
Não pule refeições! A ausência de horários regulares para as refeições principais facilita a ingestão de alimentos em quantidades superiores às suas necessidades e com baixa qualidade nutricional.
Não deixe de tomar o café da manhã. É uma das principais refeições do dia e garante o bom desempenho físico e intelectual, depois de muitas horas sem alimento.
Em cada refeição principal, utilize alimentos dos três grupos: construtores (carnes, ovos, queijos, iogurtes, leite, leguminosas, como feijão, lentilha, grão de bico, soja), reguladores (frutas, verduras e legumes) e energéticos (pão, macarrão, arroz e outros cereais; feculentos como a batata e a mandioca; e óleos, como o azeite de oliva, em quantidade não excessiva).
Entre as refeições, dê preferência às frutas ou barras de cereais.
Tome pelo menos três copos de leite ou iogurte por dia! Assim, a quantidade de cálcio necessária para o desenvolvimento dos seus ossos estará garantida.
Pratique esportes! Isto o ajudará a manter a boa forma física, aumentando a massa magra (músculos) e diminuindo a gordura corporal sem dietas restritivas.
Pare de se comparar! Cada indivíduo tem o seu próprio biotipo, portanto aceite-se como você é, pois você é único, especial!
Prefira sucos naturais, que são ricos em vitaminas e minerais, a refrigerantes, que são fontes de "calorias vazias" (não fornecem nutrientes importantes).
Quando for comer fora de casa, faça escolhas inteligentes! Troque frituras e salgadinhos por lanches naturais, doces por frutas ou sucos.
Coma fibras! Alimentos integrais são ricos em fibras, permitindo o bom funcionamento intestinal.
Controle a ansiedade! Comer compulsivamente ou deixar de comer não irá resolver seus problemas. E aprenda a auto-avaliar seu comportamento alimentar, perguntando-se "por que eu quero ou não quero comer isso", antes de dizer "não quero", "não gosto", sem saber porquê.
E não se esqueça: uma refeição equilibrada funciona como elemento defensor de sua saúde, de sua boa forma e de sua qualidade de vida, e não é apenas uma fonte de prazer!
Obs.: Este texto foi composto com a colaboração das alunas Ana Paula Duarte Franco, Bruna de Lourdes Lourensato, Carolina Leandro de Souza e Raquel Lucca Vaz, do segundo semestre do Curso de Nutrição da UNIMEP, em 2002.