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  Nutrição do Adolescente

Profa. Dra. Denise Giacomo da Motta


Os adolescentes, na faixa dos 14 aos 17 anos de idade, constituem um dos grupos populacionais que mais merecem nossa preocupação, no que se refere à alimentação, nos dias de hoje.

Sua necessidade de nutrientes é elevada, dado o intenso ritmo de crescimento e desenvolvimento físicos, mas os problemas nutricionais, por hábitos inadequados ou desvios do comportamento alimentar determinados por fatores psicológicos, sociais (ou até por modismo!) são muito freqüentes. O excesso de peso ou a magreza excessiva tendem a crescer, nessa etapa da vida.

Nesta fase, a prática de atividades físicas pode ser intensa, exigindo alimentação suplementar, nem sempre bem orientada ou seguida, ou o adolescente pode tender ao sedentarismo e à obesidade, o que interfere negativamente em sua auto-estima, se não for adequadamente controlado. O baixo consumo de leite e derivados, importantes fontes de cálcio, e de verduras, legumes e frutas, fontes de vitaminas, minerais e fibras, é muito comum. Por outro lado, o uso de bebidas alcoólicas tem começado cada vez mais cedo, comprometendo ainda mais a nutrição do jovem.

A preocupação com a estética é muito acentuada nessa idade e o adolescente precisa sentir-se aceito por seu grupo, dentro dos padrões dominantes, para "se aceitar". Por outro lado, a "rebeldia" característica, que nada mais é do que manifestação do processo de formação de sua identidade, pode levá-lo a rejeitar os alimentos saudáveis oferecidos pela família, para preferir aqueles que os "amigos" gostam, que a mídia divulga, que oferecem "status", mais que nutrientes... A preocupação com a estética tem levado muitos desses jovens a adotarem hábitos prejudiciais à sua saúde, como dietas hipocalóricas desequilibradas e restritivas, que afetam seu desenvolvimento físico e mental. Em alguns casos, as próprias mães participam da escolha da dieta inadequada das filhas!

A mídia, vale ressaltar, contribui para que uma verdadeira "teia" prenda o adolescente, levando-o a comportamentos pouco conscientes, como opção por refrigerantes ao invés de sucos naturais, guloseimas - sorvetes, chocolates, biscoitos, salgadinhos - no lugar de frutas (que "não são legais para se comer junto dos colegas"), lanches com excessivo teor calórico e pouco valor nutricional, no lugar da refeição caseira.

No que a família pode ajudar, para modificar esse padrão? Em primeiro lugar, respeitando o direito a uma alimentação "diferenciada", mas adequada, para o seu adolescente. É possível compor uma dieta equilibrada com lanches no lugar de pratos quentes, por exemplo. Basta que se saiba fazer "escolhas inteligentes" - sanduíches naturais, filés grelhados no lugar de hambúrgueres fritos, vinagrete no lugar da maionese, suco de frutas no lugar do refrigerante, iogurte no lugar do sorvete - são alguns exemplos de trocas que podem ajudar a equilibrar uma refeição "jovem".

Outra dica sempre importante, é a do exemplo dos pais. Se você faz frituras diariamente e nunca faz saladas, como esperar que seu filho troque o "big tudo" com batatas fritas por um filé de frango grelhado com verduras e legumes?

Para o jovem, aqui vão algumas sugestões que além de garantir boa forma física, podem proporcionar uma vida mais saudável:

Procure fazer pelo menos três refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar). Se quiser, e principalmente se sua atividade física for mais intensa, complemente com lanches entre o almoço e o jantar.

  • Evite as guloseimas fora de hora.
  • Não pule refeições! A ausência de horários regulares para as refeições principais facilita a ingestão de alimentos em quantidades superiores às suas necessidades e com baixa qualidade nutricional.
  • Não deixe de tomar o café da manhã. É uma das principais refeições do dia e garante o bom desempenho físico e intelectual, depois de muitas horas sem alimento.
  • Em cada refeição principal, utilize alimentos dos três grupos: construtores (carnes, ovos, queijos, iogurtes, leite, leguminosas, como feijão, lentilha, grão de bico, soja), reguladores (frutas, verduras e legumes) e energéticos (pão, macarrão, arroz e outros cereais; feculentos como a batata e a mandioca; e óleos, como o azeite de oliva, em quantidade não excessiva).
  • Entre as refeições, dê preferência às frutas ou barras de cereais.
  • Tome pelo menos três copos de leite ou iogurte por dia! Assim, a quantidade de cálcio necessária para o desenvolvimento dos seus ossos estará garantida.
  • Pratique esportes! Isto o ajudará a manter a boa forma física, aumentando a massa magra (músculos) e diminuindo a gordura corporal sem dietas restritivas.
  • Pare de se comparar! Cada indivíduo tem o seu próprio biotipo, portanto aceite-se como você é, pois você é único, especial!
  • Prefira sucos naturais, que são ricos em vitaminas e minerais, a refrigerantes, que são fontes de "calorias vazias" (não fornecem nutrientes importantes).
  • Quando for comer fora de casa, faça escolhas inteligentes! Troque frituras e salgadinhos por lanches naturais, doces por frutas ou sucos.
  • Coma fibras! Alimentos integrais são ricos em fibras, permitindo o bom funcionamento intestinal.
  • Controle a ansiedade! Comer compulsivamente ou deixar de comer não irá resolver seus problemas. E aprenda a auto-avaliar seu comportamento alimentar, perguntando-se "por que eu quero ou não quero comer isso", antes de dizer "não quero", "não gosto", sem saber porquê.

    E não se esqueça: uma refeição equilibrada funciona como elemento defensor de sua saúde, de sua boa forma e de sua qualidade de vida, e não é apenas uma fonte de prazer!

    Obs.: Este texto foi composto com a colaboração das alunas Ana Paula Duarte Franco, Bruna de Lourdes Lourensato, Carolina Leandro de Souza e Raquel Lucca Vaz, do segundo semestre do Curso de Nutrição da UNIMEP, em 2002.


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