Não é preciso ir muito longe para conhecer as coisas que afetam a criança. Geralmente estão ou dentro dela mesma ou convivendo com ela, em sua casa ou nas vizinhanças sob a forma de gente, animais, objetos ou micróbios e, no sentido mais amplo, da sociedade geral em que vive. Tudo isso deve ou pode ser campo de ação do pediatra em sua missão de defender a criança e de promover o seu melhor desenvolvimento.
Em Homeopatia não é diferente. O interrogatório reveste-se de nuances extremamente sutis, cuja valorização deverá passar pelo crivo crítico, nunca se esquecendo do bom exame físico e também de exames complementares, quando necessário.
A homeopatia comporta modalidades de aplicações particulares segundo a idade e o sexo ou, em alguns casos, os aparelhos orgânicos particularmente afetados. Quando atendemos lactentes ou criancinhas, por exemplo, a conversa que se tem com os próximos destas nem sempre fornece obrigatoriamente as informações necessárias para uma prescrição medicamentosa correta.
Devemos, particularmente, abrir os olhos e os ouvidos, perceber os comportamentos, notar o relaxamento, a atonia, as contrações, as transpirações, os vários odores do hálito e da transpiração, pois precisamos individualizar a sintomatologia própria a cada paciente. A observação atenta e o sentir globalmente o paciente, antes mesmo de começar a consulta, são fundamentais. Com freqüência, seu comportamento na sala de espera é mais espontâneo do que dentro do consultório propriamente dito.
Mas, o que será que buscamos a cada momento: o alívio, a melhora ou a cura dos pacientes? Acredito que, com bom senso e com sabedoria, o médico homeopata sabe as limitações que a homeopatia apresenta e saberá utilizar o melhor recurso disponível para aquele dado momento. Diga-se de passagem, para vários quadros, os medicamentos homeopáticos são mais rápidos que os alopáticos (desde que os sintomas sejam bem caracterizados).
Em pediatria, por certo, há "receitas" que são procedimentos que utilizam uma fórmula fiável para curar um distúrbio ou uma doença (geralmente no seu início), no caso, um remédio que corresponde a um único sintoma etiológico geralmente modalizado (através de um ou dois atributos).
Uma delas, que pode ser experimentada por qualquer pessoa, é a utilização da Arnica Montana CH30 a cada 10 a 20 minutos, por menos de 1 hora, para situações como hematomas (todos), traumatismos importantes, pré e pós-operatório, esgotamento pós-competição; ou o Symphytum para traumatismos em globo ocular. Isto demonstra que, num contato inicial, em situações de urgência, podemos atuar também como homeopatas e depois, num momento posterior, possamos avaliar profundamente uma criança, por exemplo, com terror noturno que se bate tanto a ponto de ficar cheio de hematomas.
Não podemos esquecer que somos médicos, pediatras, além de homeopatas. O objetivo da consulta homeopática, também em pediatria, é a seleção correta de um só medicamento, se possível, capaz de reequilibrar a energia vital do paciente. Devemos ser compreensivos com possíveis deslizes dos pais. Será correto "excomungar" um paciente por haver tomado umas gotas de antitérmico em um momento de aflição? Os paradigmas estão aí para serem quebrados. Discutir pacientemente o desacerto de conceitos ou práticas habituais, como o pavor em relação à febre, necessidade de vitaminas para comer, e mesmo o tratamento de cada sintoma isoladamente, além de despertar a observação dos detalhes de cada sintoma faz com que as pessoas próximas à criança sintam-se seguras e aliviadas com o conhecimento do processo de cura.