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  Insônia atinge 35% da população adulta

Cerca de 35% da população mundial adulta sofre de insônia, e 10% têm insônia crônica e precisa de ajuda de um medico. Apesar dos números, são poucos os pacientes que procuram orientação profissional, informa o dr. João Shigueo Yonekura, especializado em Neurologia e Sono pelo Hospital das clinicas da USP, membro titular da Academia brasileira de Neurologia e membro da Associação Americana de Sono.

Segundo o dr. Shigueo, a insônia pode ser definida como a presença de um sono de qualidade inadequada ou insatisfatória, caracterizado por uma ou mais queixas, como dificuldade em adormecer ou manter o sono, acordar cedo demais ou ter um sono não reparador, ou seja, acordar cansado.

"Por isso, perguntas sobre a qualidade do sono devem constar da rotina na avaliação medica. Sabemos que mais de 50% das pessoas sofrem ou já sofreram de algum distúrbio do sono nos últimos doze meses. Metade desses pacientes acham que o problema é crônico, mas nunca o discutem com seu medico. Nesse sentido, devemos estimular a pergunta sobre o sono, porque ele pode estar relacionado à doença de base que determinou a procura do medico."

O diagnostico da insônia, conforme o especialista, é realizado com base nas queixas do paciente: dificuldade de conciliar o sono ou acordar várias vezes à noite e durante o dia; acordar cansado, com sensação de falta de energia; dificuldade de concentração, irritabilidade e, por vezes, sonolência diurna.

A insônia pode afetar qualquer faixa etária, até as crianças. Mas são os adultos os mais freqüentemente acometidos, e as mulheres mais do que os homens.

O dr. Shigueo Yonekura explica que o problema pode ser tratado de duas formas: medicamentos e comportamental. "A medicamentosa é, de longe, a mais usada na prática diária, tanto pela comodidade do médico, como pelo resultado rápido e eficaz. Porém devemos sempre estar alertas para o fato de que a insônia não é uma doença e sim um sintoma de que algo não vai bem. Devemos determinar a causa e eliminar", orienta.

As patologias mais comumentemente associadas, conforme o neurologista, envolvem as doenças afetivas como a depressão, estresse, doenças cardiovasculares, pulmões, dores articulares ou de ordem emocional e transitória. "Medicamentos como benzodiazepinicos são bastante usados, assim como antidepressivos." O tratamento comportamental envolve conselhos simples e eficazes , que resolvem pelo menos a metade dos casos, orienta o médico. Quando o insone acorda no meio da noite e não consegue recomeçar a dormir, deve tentar mudar a posição na cama. É uma forma de evitar a chamada posição da insônia - a postura habitual que o insone adota para tentar dormir, automatizando o comportamento, a posição-insônia.

Se o insone não conseguir pegar no sono após trinta minutos, não adianta insistir. Esse comportamento só vai provocar estresse e mais dificuldade para dormir. A dica é sair da cama, ir para a sala e fazer uma leitura, de preferência um livro sem graça.

Também vale tomar um copo de leite morno, a receita e caseira que tem fundo de verdade, porque contém uma substância chamada triptofano, que estimula o sono em algumas pessoas. Volte para a cama somente se tiver sono. Se não conseguir dormir, repita a operação.

"Uma boa opção para os que têm dificuldade de começar a dormir é fazer exercícios ao entardecer. Três a quatro horas depois, a temperatura começa a baixar e isso provoca preguiça e sono. Exercitar-se e logo ir para cama não é uma boa opção, uma vez que pode provocar excitação e dificuldade para iniciar o sono.

Outros conselhos incluem acordar no mesmo horário todo dia; evitar o consumo de café após as três da tarde (a cafeína pode estimular o cérebro até 7 horas após sua ingestão); não beber qualquer coisa que contenha álcool para facilitar o sono (o álcool pode até facilitar o sono no inicio, mas causa múltiplos despertares de madrugada, fragmentando o sono); minimize os ruídos externos.

Para pessoas que trabalham no período noturno e precisam dormir durante o dia, o médico recomenda que durmam em quarto totalmente escuro, com uma cortina ou vedação que não deixe passar a luz do dia. O cérebro precisa da informação escuro-claro para processar adequadamente as informações. Uma musica suave pode ajudar.

O dr. Shigueo não recomenda televisão e vídeo no quarto dos insones. Apesar de a televisão ser um sonífero para algumas pessoas, um filme interessante pode tirar o sono.

Quando os tratamentos convencionais não revelam resultados satisfatórios, o paciente pode ser submetido a um exame chamado polissonografia, que ajuda a descobrir a possível causa que leva à insônia, orientar um diagnostico preciso para varias patologias que só ocorrem durante o sono.

"O exame é realizado com o paciente dormindo a noite inteira. Sensores monitoram os diferentes estágios do sono, fazem uma avaliação objetiva dos sonhos. O sonhar antes de 70 a 80 minutos após o início do sono é considerado um forte marcador biológico para depressão. Avaliação da respiração, eletrocardiograma, oximetria , posição, roncos também são consideradas", diz o especialista.

A importância do sono para nossas vidas (Box). Além do sono estar relacionado ao restabelecimento das nossas energias, manutenção da temperatura corpórea, alguns hormônios são produzidos em maior quantidade durante o sono, entre eles a prolactina, a testosterona, a melatonina e o hormônio do crescimento.

Dois estudos recentes confirmam a importância do sono para consolidação do aprendizado no cérebro. A equipe do neurocientista Robert Stickgold, da Universidade de Harvard (EUA), concluiu que um simples cochilo, evita que o desempenho de uma pessoa em um exercício de percepção decaia devido à saturação de informações para o cérebro.

O grupo concluiu que as duas últimas horas do sono são essenciais para melhorar a performance para as atividades motoras. Karn & Sag também demonstraram que a integridade do sono, assim como a integridade do sono REM (Rapid Eyes Moviment), que corresponde à fase dos sonhos, é importante para a consolidação da memória, principalmente a longo prazo.

Portanto, diversos distúrbios que ocorrem durante o sono estão relacionados com problemas durante o dia explicando, muitas vezes, alterações cardiovasculares como a hipertensão arterial e suas conseqüências: a libido, dificuldade no aprendizado e concentração, alterações do humor, metabólicas e hormonais.


 
   
   
     
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