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  Apnéia do sono compromete rotina do paciente

A apnéia do sono constitui um dos problemas de saúde mais importantes, seja pela gravidade, seja pela prevalência. Cuidados médicos preventivos deveriam ser mais divulgados, para reduzir o custo social desta condição médica, que compromete a rotina, a qualidade de vida do paciente". As considerações são do dr. Ademir Baptista Silva, professor adjunto de Neurologia e chefe do Setor de Distúrbios do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele também informa que alguns estudos apontam que de 2 a 4% da população adulta apresentam apnéia de sono, sendo a prevalência em homens pelo menos o dobro em relação às mulheres.

Segundo o especialista, a apnéia apresenta-se como um cessar da respiração durante 10 segundos ou mais enquanto o paciente dorme, e só termina com o despertar do indivíduo. A repetição da apnéia provoca o sono interrompido, sendo mais descontínuo nos casos de maior freqüência de apnéias. Esses despertares noturnos são responsáveis pelo sono não-reparador e a conseqüente sonolência excessiva diurna.

"Por conta destes fatores, a apnéia do sono é a causa mais importante de sonolência excessiva diurna, devendo sempre ser pesquisada nestas situações", orienta o dr. Ademir Silva.

De acordo com o dr. Ademir Baptista Silva, a apnéia do sono atinge todas as faixas etárias, desde o recém-nascido ao idoso. Porém, costuma se apresentar mais exuberante na faixa etária dos 30 aos 60 anos, atingindo mais o sexo masculino, numa proporção de dois para um. Estudos indicam que a apnéia aumenta com a idade e após os 50 anos, atinge ambos os sexos igualmente, havendo estatísticas mostrando que até percentuais acima de 50% são encontrados na população dos idosos.

Podemos ter apnéia do sono por obstrução total da via aérea superior (faringe ou garganta), denominada apnéia obstrutiva do sono, e apnéia sem obstrução da via aérea, denominada apnéia central. A apnéia obstrutiva do sono afeta aproximadamente 4% das mulheres e 9% dos homens na faixa etária entre 30 e 60 anos.

Na apnéia central, há parada do fluxo aéreo sem esforço respiratório, sendo uma condição de ocorrência rara na prática. A apnéia obstrutiva ocorre pela interrupção da via aérea superior ao nível da faringe e está associada ao ronco forte, do tipo ressuscitativo, caracterizando a SAOS (Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono). "Atualmente, estende-se este conceito para os eventos de distúrbios da respiração que levem a um despertar do paciente, mesmo que não ocorra a pausa respiratória, mas que levam ao quadro conhecido como Síndrome da Apnéia e Hipopnéia Obstrutiva do Sono", explica.

O dr. Ademir lembra que os dois tipos de apnéia podem se compor, resultando em apnéias mistas ou compostas. A SAOS associa-se com alto grau de morbidade e, em casos graves, pode até levar o paciente à morte. O achado mais característico da SAOS do sono é o ronco, sendo ele o resultado da vibração nas regiões palatofaríngeas ou esofago-faríngeas.

"O ronco sempre está presente em casos de apnéias obstrutivas. Porém, podemos ter roncos sem apnéias, quando denominamos de roncos primários. O ronco e a apnéia tendem a aumentar com a idade. Estima-se que 60% dos homens e 40% das mulheres roncam regularmente entre 60 e 65 anos de idade", observa. Os pacientes com apnéia do sono apresentam cansaço diurno, indisposição e sonolência excessiva . Outros efeitos da apnéia são hipertensão arterial, irritabilidade, cefaléia matutina, piora da memória e disfunção sexual. A hipertensão arterial tem sido relacionada com a hipóxia noturna (falta de oxigenação cerebral) a que estes pacientes ficam submetidos pela recorrência das apnéias.

As causas mais freqüentes da apnéia, segundo o especialista, são a obesidade, aumento das amídalas, desproporções craniofaciais, tumores na região faríngea, além de causas diversas. O diagnóstico da Apnéia do Sono, conforme o dr. Ademir, se faz pelo quadro clínico de sonolência excessiva diurna, ronco alto, cansaço diurno, alteração cognitiva ou afetiva. A confirmação do diagnóstico é feita através de um exame chamado Polissonografia, realizada durante uma noite em laboratório especializado. Exames de imagens e endoscópicos complementam o diagnóstico.

DOENÇA TEM VÁRIOS TRATAMENTOS (BOX)

Segundo o dr. Ademir Baptista da Silva, existem basicamente quatro modalidades de tratamento para apnéia. O comportamental (como emagrecimento), farmacológico (uso de antidepressivos - pouco eficazes segundo o médico), mecânico (uso de máscara com pressão positiva) e aparelhos intra-orais e cirúrgicos (avanços mandibulares e plástica faríngea). A escolha dependerá do grau da doença e da aceitação por parte do paciente.

O tratamento cirúrgico da SAOS do sono inclui a traqueotomia, a uvulopalatofaringoplastia, glossotomia, cirurgia de avanço da mandíbula e maxilar e levantamento do hióide. A uvulopalatoplastia por laser (LAUP) está indicada para os casos de ronco sem ou com grau leve de apnéia. "O tratamento mais aceito internacionalmente para as apnéias de grau moderado a grave é a aplicação de máscara de ar com pressão positiva contínua nas vias aéreas superiores (CPAP nasal), que consiste no uso de máscara ligada a um compressor de ar", diz o médico.

A SAOS responde bem ao CPAP, assim como alguns casos de apnéia central. Outro tratamento não medicamentoso é o aparelho ortodôntico intra-oral, feito em peças de acrílico, com ou sem metais, que os cirurgiões-dentistas aplicam nas arcadas dentárias dos pacientes para uso durante o sono, tendo a finalidade de antepor a mandíbula e a língua através de uma leve tração. Estes dispositivos são úteis em casos de roncos e apnéias de graus leves a moderados.

Na opinião do dr. Ademir, o tratamento medicamentoso é de pouca utilidade. Porém, alguns casos de SAOS podem responder a antidepressivos tricíclicos, que aumentariam o tônus muscular da orofaringe. As substâncias farmacológicas teofilina e aminofilina seriam úteis em casos de apnéia central. As drogas que suprimem o sono REM, como antidepressivos e inibidores da monoaminooxidase, têm efeito sobre as apnéias relacionadas ao sono REM. A progesterona também tem sido usada como um agente estimulante respiratório e é útil em alguns casos de apnéia central. A acetazolamida pode ser usada em casos de SAOS de pacientes obesos.

De acordo com o especialista, o tratamento concomitante do refluxo gastroesofágico quando presente é imprescindível, por causa do seu efeito de piora sobre o quadro da apnéia. Pacientes obesos também podem responder à perda acentuada de peso através de dietas ou pela gastroplastia.

Algumas medidas simples, como levantar a cabeceira da cama em 15 centímetros, e a colocação de uma bola de tênis no dorso, podem reduzir as apnéias em alguns casos e funcionam como métodos auxiliares no tratamento. "Deve-se evitar o uso de sedativos ou álcool, pois estes agentes aumentam a duração e a gravidade das apnéias, recomenda o especialista.


 
   
   
     
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