O movimento pela implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) tem revelado momentos importantes e trazido novo fôlego ao trabalho de defesa de classe. E isso ocorre tanto em nível nacional, como local, onde temos boas surpresas, como a integração entre todas as entidades que representam os médicos, o que demonstra um amadurecimento indispensável no avanço de nossa luta.
No começo do mês de julho, as diretorias da APM Piracicaba, do CRM Regional de Piracicaba e do Sindicato dos Médicos se reuniram com representantes dos quatro convênios que operam em Piracicaba, para discutir prazos e condições para a implantação da classificação hierarquizada.
Nesses encontros, tivemos a oportunidade de vivenciar um diálogo franco, marcado pela apresentação da realidade vivida por cada operadora e do compromisso pela implantação dessa classificação, não imediatamente, mas, de forma gradativa.
A Intermedici informou que está em fase de implantação da classificação. A Unimed Piracicaba, que acabou de eleger nova diretoria, disse que está em processo de organização e que, por enquanto, não tem como adotar a CBHPM. Amhpla e Santa Casa Saúde ainda não tem uma posição fechada sobre o que e como farão essa implantação.
Aproveitando o nível das negociações, os encontros evoluíram para outras possibilidades, como o fortalecimento dos quatro convênios dentro de Piracicaba,com melhoria do trabalho do médico e, conseqüentemente, do atendimento ao usuário.
Ao mesmo tempo, o movimento avança em todo o país. As lideranças médicas nacionais e estaduais já negociam com0 todos os setores da saúde suplementar para abrir negociações. Segundo a direção nacional do movimento, o setor mais crítico é o das seguradoras. Além de não se mostrarem dispostas a negociar com a classe médica, reajustaram seus planos em até 80%. A Abramge, que representa as medicinas de grupo, também não se manifestou.
As entidades médicas não descartam a paralisação do atendimento e o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo (Simesp), Erivalder Guimarães de Oliveira, disse que se isso ocorrer, os médicos vão atender as seguradoras no sistema de reembolso. O presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), Geraldo Guedes, informou que Minas está atendendo neste sistema e que há a possibilidade de descredenciamento em massa de 41 empresas que não estão atendendo às negociações.
Na visão do presidente da APM estadual, José Luiz Gomes do Amaral, o movimento não é simplesmente pelo aumento dos honorários médicos, mas pela implantação da classificação, que garante segurança ao usuário do sistema, que hoje não tem como distinguir se o plano que ele vai contratar é bom o ruim. Para Amaral, a classificação é um instrumento que permite tal distinção, o que dá ao movimento a responsabilidade de informar a sociedade para a situação do médico e do sistema suplementar, de divulgar a necessidade de o profissional ser remunerado de maneira adequada, para que possa investir em sua educação continuada.
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Presidente da APM Piracicaba